Henry Oliver Gibson


Foi o primeiro (na realidade o primeiro filho foi José mas como ele faleceu com 08 anos de idade, Henry Oliver assumiu a primogenitura) dos filhos de Henry & Alexandrina, tendo nascido na residência da Madalena em 24 de junho de 1844, quando seu pai já era reconhecido como um grande comerciante. Foi batizado na Igreja Anglicana do Recife.

Foi Coronel da Guarda Nacional.

Casou-se ele aos 24 anos de idade com Teresa de Pinho Borges, em 11 de abril de 1868, deixando o casal 09 filhos: Alexandrina, Henrique Neto, Adolpho, Alberto, Oscar, Adelia (casou com Theodomiro Valois), Corina (casou com Eurico Valois), Olga e Hélia (também casou com seu primo irmão Edgar Nascimento Valois).

Como vimos, três filhas de Henry Oliver, casaram-se com seus primos, filhos de Alice Gibson e Theodomiro Valois.

Teresa era filha de Luis de Pinho Borges e de D. Ana Pinho Borges. Homônima de uma das filhas do Barão de Pinho Borges, a esposa de Henry Oliver foi errôneamente citada em trabalhos anteriores, como sendo filha do Barão de Pinho Borges. O engano foi corrigido pela genealogista portuguesa Maria-João Craigie, a qual agradecemos. Vide o texto:



Caro Gustavo:

Estando a verificar contra documentos, como sempre faço, o meu texto sobre os Soares Brandão de Pernambuco, acabo de localizar um importante erro de identificação proveniente da sua base de dados, que me apresso a corrigir, para que o Gustavo possa fazer o mesmo no seu website sobre a família Gibson:

Ao consultar online através de FamilySearch o assento de casamento de Henrique Gibson com D. Teresa de Pinho Borges, verifiquei pelo teor do mesmo que esta senhora não é filha do Barão Francisco de Pinho Borges e de D. Tomásia Firmina Soares Brandão, mas sim de Luís de Pinho Borges e de D. Ana.  Trata-se, pois, de duas senhoras homónimas, mas filhas de pais diferentes.

Para que possa verificar por si próprio, eis o link (o assento em questão é o quinto da folha do lado esquerdo):

  
Quanto às outras informações sobre este casal, estão correctas, pelo que vão transcritas adiante, para que o Gustavo possa fazer delas o uso que entender no seu website, já que, como é evidente, foram eliminadas do meu livro sobre os Soares Brandão de Pernambuco, mas continuam a ter interesse para si.

Abraços,

Maria-João



Teresa foi casada em segundas núpcias com Manuel Xavier Carneiro da Cunha Filho, agricultor e proprietário, sem deixar geração neste casamento. Faleceu em 04/set/1923 em sua casa na Rua Barão de São Borja, Boa Vista - Recife e foi sepultada no Cemitério de Santo Amaro.

Henry Oliver foi um grande patriarca. A família gostava de dizer que Henry Oliver teria povoado Beberibe. Junto com outros irmãos, ele era proprietário por herança, do Engenho Beberibe, onde residia. (Trata-se de um antigo Engenho de Açúcar que no século XVII pertenceu a Diogo Gonçalves, auditor da Capitania de Pernambuco. Essa propriedade era banhada pelo Rio Beberibe, que lhe deu o nome. Em 1636, a propriedade passou para Antonio de Sá, sendo depois confiscada pelos holandeses. Posteriormente foi restituída a seus herdeiros. Em 1767 foi concluída a construção de uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição do Beberibe. A localidade foi palco de combates na revolução de 1821, onde foi decretada a independência de Pernambuco. Ali foi assinada a chamada Convenção do Beberibe, e também foi palco de combates na Revolução Praieira, em 1848. Já como povoado, foi lá que em 1889, fundou-se o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, como também foi composta em 1909, a canção Vassourinhas por seus moradores Joana Batista e Teodoro Matias, este último um dos fundadores do grupo carnavalesco)Também era referido como sendo um dos proprietários do Forno da Cal. 

Sensível aos encantos femininos manteve vários outros relacionamentos, extra-conjugais e conseqüentemente surgiram mais filhos, que eram reconhecidos e devidamente registrados com o sobrenome Gibson, os quais tinham direito.

A tradição oral da familia informa que certa ocasião Thereza Eugênia foi queixar-se a sua sogra,  Alexandrina, sobre a vida boêmia que Henry Oliver - ainda récem casado, já estava levando. Ela dirigiu-se ao Casarão do Engenho Beberibe e aguardou a chegada do filho, o que normalmente ocorria de madrugada.  Henry Oliver foi então recebido a vassouradas por Alexandrina, que tinha se escondido atrás da porta para recepcioná-lo de surpresa. Mas, esta intervenção não solucionou a questão e nas demais vezes que Teresa se queixava, Alexandrina se limitava a dizer: "Ah, estes ingleses!"

Parece ter tido com Francisca de Souza, uma descendente dos índios Fulni-ô de Aguas Belas - PE, o relacionamento mais estável e prolongado de todos, morando ela e os filhos também no Engenho Beberibe. Com Francisca teve 05 filhos: Eduardo, Cilino, Nestor, Laura e Nina. De uma das filhas do casal, Laura Gibson, conhecemos 6 filhos:  Walter, Odaci, Benedito, Laura, Mauro e Antonio José.

Consta que os jogos de cartas (baralho) era outra de suas paixões, e que parte considerável da fortuna da família esvaiu-se deste modo, pelas mãos de Henry Oliver. Minha avó Beatriz Xavier Gibson - filha de Francis, tinha ojeriza a qualquer tipo de jogo, principalmente baralho. Até mesmo os jogos inocentes eram por ela proibidos a seus descendentes e os seus filhos que gostavam de baralho - mesmo em jogos sem apostas, o faziam escondido, em respeito a ela. Meus pais, que jogavam Buraco habitualmente, sempre tinham baralho em casa e lembro-me de mamãe o escondendo quando vovó nos visitava.

Como bom inglês, gostava também de corridas e tinha cavalos no Turfe pernambucano.

No Jornal do Recife de 15 de julho de 1874, Henry Oliver está relacionado em edital judiciário, como credor da massa falida de João Baptista de Gonçalves Bastos.

No mesmo jornal, na data de 26 de maio de 1876, Henry Oliver aparece como credor da massa falida de "Magalhães e Irmãos".

Gostava de política e apesar de não ter ocupado ou disputado nenhum cargo eletivo, parece ter sido atuante.  No número 68 do jornal A Província, publicado em 18/março/1890, sob o título Reunião Política em Olinda - na pagina 2, encontramos o seguinte texto:  "Os abaixo assinados convidam a todos os cidadãos residentes na Comarca de Olinda para, as 7 horas da noite de 20 do corrente no theatrinho da mesma cidade, deliberarem sobre a criação de uma associação politica, de conformidade com as cláusulas em seguida publicadas, ou outras que melhormente forem assentadas". Sete pessoas assinam o convite, entre elas Henry Gibson, como gostava de ser chamado.

Parece-me que estas associações faziam antigamente o papel que hoje corresponde aos partidos políticos, que ainda não existiam. Eles apresentavam à população uma "chapa" de candidatos a cargos eletivos que disputavam uma eleição. 

Foi o patriarca dos “Gibsons de Beberibe”, que preservam o nosso sobrenome e cuja presença é marcante e numerosa no Recife atualmente. Não é possível entender
a familia Gibson sem conhecermos os descendentes de Henry Oliver.
Henry Oliver Gibson
Um ponto negativo de sua biografia é a informação oral da família de que com a morte de Alexandrina, Henry Oliver - primogênito, atuou como tutor dos irmãos menores e então revelou-se um péssimo administrador, trazendo enorme prejuízo para toda a família, principalmente para os irmãos menores. Tenho dúvidas da veracidade desta informação.
Henry Oliver Gibson
Certa feita, procurado por seus irmãos Alfred e Francis que foram reclamar do modo que o patrimônio da família estava sendo administrado, pegou uma arma e ameaçou suicidar e então os irmãos deram o caso por encerrado.
Essa informação que repito, faz parte da tradição oral da família, carece de comprovação documental, apesar de que Henry Oliver foi realmente tutor dos irmãos. O terceiro deles.

No jazigo da Família Gibson – Cemitério de Santo Amaro, encontra-se na sua lateral direita (vide foto), uma pequena placa em mármore branco trabalhado que informa em baixo relevo: “este túmulo foi construído por Henry Gibson para sua mãe Alexandrina”.


No Jornal do Recife de 07 de dezembro de 1865 sob o título ESCRAVO FUGIDO, temos a seguinte notícia: "Acha-se fugido do engenho Forno da Cal, termo de Olinda, o moleque de nome Vicente, baixo, cheio de corpo, cabellos pouco estirados, cor fula, idade 12 a 15 anos pouco mais ou menos, roga-se as autoridades policiaes, capitães de campo, ou quem o pegar leval-o no indicado engenho acima, ou na Ponte D'Uchoa, sítio do finado Henry Gibson, e no Recife rua da Cadeia, no. 24, que será recompensado". 

Observem que mesmo bem depois da morte de Henry, o endereço da rua da Cadeia continuou a ser mantido pelos herdeiros que tentaram dar continuidade ao comércio varejista do pai. Aliás, o JR de 11 de dezembro de 1865, anunciava um leilão de mercadorias com defeito (tecidos ingleses) como também de mercadorias em bom estado "para fechar contas de fim de anno" no armazém do finado Henry Gibson. O agente era o leiloeiro Oliveira, tio paterno de Alexandrina.

O Jornal do Recife de 18 de maio de 1869 publica a relação de acionistas da Companhia dos Trilhos Urbanos de Olinda a Recife. Nesta relação aparece o nome de Henry Oliver e de seu irmão Alfred.

E na edição de 02 de outubro de 1869 do mesmo jornal, coluna GAZETILHA, sub-título Movimento de dinheiro, a relação de várias pessoas que tinham recebido dinheiro dos postos do norte, trago pelo paquete Guard. Nesta relação, temos o nome de Henry Oliver.

Na coluna "HÁ UM SÉCULO”, O Diário de Pernambuco de 14 de agosto de 1993 uma nota que nos informa que no dia 14 de agosto de 1893 foi publicada a seguinte notícia:

"Revista Diária - Passeio presidencial - No dia 10 do corrente, às 7 1/2 horas da manhã, S. Exc. o sr. desembargador Presidente da Província, acompanhado de sua Exma. família, seu ajudante de ordens, deputados provinciais, Estevão de Oliveira, Augusto Leão e Cândido Ladislau, Drs. Armindo Tavares, Miguel de Castro, Adelino Luna Freire, capitão Nascimento Burlamaqui e diversos amigos, tomando um trem expresso foi a cidade de Limoeiro, onde, chegando as 10 hs. foi recebido pelas respectivas autoridades, hospedando-se em casa do Ilm. Sr. Henrique Gibson, que foi incansável juntamente com sua Exma. senhora em proporcionar a S. Exc. e aos de sua comitiva uma estada agradavel. S. Exc. visitou a matriz, Câmara Municipal, cadeia, cemitério, escolas públicas, onde convidando o Sr. Dr. Estevão a examinar os alunos, mostrou-se satisfeito pelo aproveitamento e frequência que notou. Durante o almoço e jantar, que foram lautos, ergueram-se muitos brindes, (...). No dia seguinte voltou S. Exc. às 11 horas da manhã, demorando-se pouco tempo em Pau d'Alho, correndo a cidade, depois do que retomando o trem aqui chegou às 4 1/2 da tarde. Separaram-se todos cheios de gratas recordações".

Na mesma coluna, porem em data diferente (creio que no início dos anos 70), o DP noticia que um grupo de amigos se dirige a residencia de Henry Oliver, em Beberibe, para presentea-lo com uma espada que faria parte da indumentaria de Coronel da Guarda Nacional, título que Henry Oliver tinha acabado de receber. Li esta noticia mas não a guardamos.

O Jornal A PROVÍNCIA de 15 de dezembro de 1914 traz a noticia de seu falecimento: 

"Victima de antigos sofrimentos falleceu hontem, as 16 horas, na casa de sua residência, em Areias, o coronel Henrique Gibson, casado com a exma. sra. Thereza Gibson, de cujo consórcio deixa numerosa prole. 
O saudoso extincto era geralmente estimado pelas suas apreciaveis qualidades moraes. 
Seu enterramento terá logar hoje à tarde, no cemitério público de Santo Amaro.
Levamos nossos pezames à desolada família, especialmente a seu filho sr. Oscar Gibson, digno auxiliar do commércio d'esta praça, seus genros srs. Theodorico e Eurico Valois, negociantes em Victória e ao seu sobrinho, nosso illustre amigo dr. Thomé Gibson, director proprietário do Jornal Pequeno."

Temos tido contato com descendentes de Odaci Gibson Simões - neto de Francisca de Souza, e maiores informações estão disponiveis no Link: Gibson Simões. 

Caso você queira contribuir com nosso trabalho, com outras informações, fotos ou documentos que possam enriquecer esta postagem, pedimos que entre em contato com gustavogibson@gmail.com  Todos agradecemos

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