BARTHOLOMEU  GIBSON

Tenho pedido insistentemente aos primos para escreverem as biografias dos seus pais e avôs para que possamos compartilha-las em nosso Site. Mas, sei como é difícil falarmos com imparcialidade sobre eles.

Demorei  para escrever uma biografia simplificada de papai e ainda nem sequer comecei a do avô paterno Arnaldo e de minha avó materna Beatriz, apesar de ter escrito todas as que hoje estão postadas aqui no nosso site. A de papai, que agora inicio, devo de agora em diante acrescentar informações aos poucos.

Abaixo a biografia de meu pai – Bartholomeu Gibson:

Bartholomeu Gibson 
Nascido em 15 de novembro de 1924, foi filho de Arnaldo Gibson e Aline do Amaral Lemos. Neto de Alfredo, bisneto de Alfred e trineto de Henry & Alexandrina. Como seus irmãos, tinha grande orgulho do nosso sobrenome, de nossa família.

Foi irmão da Ir. Visitatio Gibson. (vide biografia)

Em 1936 ingresssou no Colégio Salesiano do Recife, tendo concluído o Curso Ginasial em  1940. Apegado às tradições e à religião católica, fez questão que todos seus filhos também estudassem no Colégio Salesiano, como ele. Assistia religiosamente as missas dominicais.

Em 1941 ingressou no Colégio Pernambucano, onde concluiu em 1942 o curso pré-jurídico.  Na Faculdade de Direito do Recife, fez o Curso de Bacharel em Direito, concluído em 1947.

Casou com a prima Virginia Célia Gibson Cunha – filha de Beatriz Xavier Gibson, neta portanto de Francis e tiveram 05 filhos: Guilherme, Gustavo, Arnaldo Neto, Romeu Sobrinho e Joyce. Bartholomeu e Virginia eram vizinhos no Bairro Sancho - Tejipió, Recife. Moravam em casas compradas a Romeu Gibson.

Em 1950, foi aprovado em 2º. lugar a com a nota 8,7, no concurso instituído pela Procuradoria Geral de Justiça para provimento do cargo de Promotor Público. Papai nunca se perdoou por não ter tirado o primeiro lugar neste concurso - o primeiro lugar teve acréscimo de décimos na sua pontuação (nota de 8,9), em virtude da prova oral. O seu pai – Arnaldo,  assistiu a prova oral sentado na primeira fila e ele dizia que gostaria de ter dado ao pai o prazer de ver o filho conquistar o primeiro lugar. Tempos diferentes, não? De qualquer forma, nunca vi o vovô fazendo nenhum comentário, cobrança ou crítica, sobre esta classificação. E nem caberia. A meu ver, auto cobrança excessiva por parte de papai.

Bartholomeu & Virginia - noivos


Bartholomeu & Virginia - casamento

















Mas, se foi exagerado nas suas cobranças pessoais, foi muito tolerante em relação aos filhos, apesar de que todos cursaram escolas de nível superior, à exceção de Arnaldo Neto. Teve três filhos, um genro e uma nora médicos. O primogênito Guilherme cursou Direito na PUC até o segundo ano, quando optou por uma vida rural. Arnaldo Neto, desenvolveu uma doença hereditária (originada pela consagüinidade entre papai e mamãe) e perdeu totalmente a visão aos 10 anos de idade.

Na época do concurso, papai já ocupava interinamente o cargo de Promotor Público em Lajedo -  PE, e era pai de dois filhos – Guilherme e Gustavo, ou seja, necessitava do cargo para provimento da família, para a subsistência.

Como Promotor interino, tinha exercido as funções também em Cabrobó e Petrolina, sendo nesta última onde conheceu e tornou-se amigo do patriarca Clementino Coelho, o Coronel Quelé e de seus filhos. A família Coelho encontra-se há 100 anos no poder em Petrolina e quase que ininterruptos.  Papai foi nomeado para Petrolina justamente para atender os Coelhos, em guerra com outra família local, ambas com expressão política.  Foi pedido ao então governador Agamennon Magalhães que nomeasse um promotor independente, sem ligações políticas com a região. Sem paixões locais.

O primogênito dos Coelhos, era Deputado Federal pela Bahia (Petrolina fica às margens do Rio São Francisco, na divisa dos dois Estados) e convidou papai para ser Delegado de Policia em Salvador e este aceitou. Mas, antes de concretizar o fato o Deputado faleceu em um desastre de avião monomotor. Então, somos pernambucanos. Nada de Bahia.

Efetivado pelo Concurso, foi nomeado para a Comarca de Serinhaém, onde seu tio avô – Cândido Gibson, já tinha exercido a mesma função. Cândido faleceu ainda jovem, solteiro e sem descendência, com tuberculose
Bartholomeu & Virginia com o primogênto Guilherme

Quando nasci, papai era Promotor de Lajedo, mas residi apenas poucos meses nesta cidade. Em Serinhaém nós residimos em um distrito da Comarca, chamado Barra do Serinhaém, que fica a Beira Mar e a partir daí já tenho lembranças. Barra do Serinhaem fica a uns 10 kms da sede do Município e o transporte que papai usava era uma charrette puxada por um cavalo branco, o Gigante.

Lembro de termos recebido lá a visita de tio Romeu.

Naquela época o transporte era um grande problema do Brasil – desprovido de estradas férreas, e quando papai precisava ir de uma Comarca até Recife, geralmente era de carona em um caminhão que no sertão, muitas vezes usava os leitos secos dos rios como estradas.

Foi nesta época que nasceu Arnaldo Neto, seu terceiro filho e que papai resolveu transferir sua família para Olinda, onde passamos a residir em 1957. O motivo: os filhos mais velhos já estavam em idade escolar e as condições de Barra do Serinhaém ainda eram muito precárias, principalmente em termos de escolas.

Serinhaém dista 78 kms de Recife, assim como também a cidade vizinha de Rio Formoso, a próxima Comarca que papai assumiu. Assim ele conseguia conciliar o trabalho indo todas as terças para a Comarca e voltando às sextas. Nas férias escolares, obrigatoriamente íamos para as Comarcas onde tínhamos casa na praia, primeiro em Barra do Serinhaém e depois em Tamandaré (Rio Formoso).

Arnaldo Neto, Gustavo e Romeu Gibson Sobrinho - filhos de Bartholomeu & Virgínia


Em 1962 disputou as eleições concorrendo ao cargo de Deputado Estadual pelo extinto Partido Replubicano (PR), não conseguindo êxito.

Em 1965, por poucos meses, foi promotor da cidade de Paulista, vizinha a Olinda. Logo em seguida assumiu a 11ª. Promotoria da Capital – Recife. Salvo engano, era a do Juri. Em 1966, foi para a 12ª. Promotoria da Capital onde ficou por 01 ano e em 1967 foi nomeado para a 7ª. Promotoria da Capital (Transito), mas nunca assumiu.

Em 1966 afastou-se temporariamente do MP por ter assumido em comissão, o cargo de Delegado de Roubos e Furtos onde ficou até 1967.  Ainda no Governo Militar, em 1968, também em comissão, assumiu a pedido do então Governador Nilo Coelho (filho do Coronel Quelé) o cargo de Diretor do Departamento de Investigações, da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, onde ficou até 1971. Posteriormente acumulou este cargo com o de Diretor de Ordem Política e Social, o DOPS, nos Governos de Costa e Silva e Medici.

Em 1971 foi designado por Nilo Coelho como Corregedor Geral do Ministério Público, saindo da SSP/PE e em 1979, foi promovido a Procurador de Justiça.

ATIVIDADE  DIDÁTICA

Tinha uma grande facilidade para lecionar e em todas as Comarcas onde esteve como promotor, atuou também como professor. Tinha predileção especial pelas matérias de História e Matemática.

. Foi um dos fundadores da AESO (Associação do Ensino Superior de Olinda) que restabeleceu os cursos . Jurídicos em Olinda.
. Professor titular da disciplina de Direito Penal da Faculdade de Direito de Olinda.
. Professor titular da disciplina de Direito Penitenciario da Faculdade de Direito de Olinda.
. Professor de Direito Aplicado da Escola de Polícia de Pernambuco, durante o  XV curso básico.

Costumava dizer que "ensinar é despertar vocações!"
Tem 02 netos professores em cursos de Direito. Deixou semente, despertou vocações!

RUA  DA  LAMA

O pai de Bartholomeu - Arnaldo Gibson, estava em uma situação econômica muito confortável estabelecido como comerciante na cidade de Campina Grande - PB. Nesta época sua esposa - vovó Aline, começou a pressiona-lo para que a família voltasse para o Recife. Conseguiu. Vovô desfez-se do comercio e voltou para Recife, onde comprou dois cinemas, que não deram certo. Comprou então uma fabrica de sabonetes e também não teve sucesso. Foi-se o capital trazido de Campina Grande. No auge da crise financeira pessoal foi morar na periferia de Recife, numa rua chamada Rua da Lama, já viuvo- apesar de jovem, e com 06 filhos menores. Papai e seus irmãos conseguiram conciliar o estudo com o trabalho e conquistaram títulos superiores: um médico, um advogado e um arquiteto.

Apesar de que vovô logo recuperou-se e chegou a ser fiscal de consumo (seria hoje Auditor do Tesouro Nacional), tendo ocupado o cargo de Delegado Fiscal em PE, papai costumava dizer que o passaporte dele de saida da Rua da Lama tinha sido o diploma de advogado conquistado com duros esforços. E que nós, nos cuidassemos para não voltarmos para a Rua da Lama. Que estudássemos!

Hoje na sala onde fica o computador e a TV dos meninos - dois grandes adversários dos estudos, mantenho um espaço que batizei de Rua da Lama. Neste espaço estão pendurados na parede os diplomas de papai de conclusão dos cursos Ginasial e de Direito. Com destaque, em uma moldura, a foto de papai centralizada e ao redor, fotos menores de seus descendentes (filhos e netos). E mostro aos trigêmeos como aqueles diplomas conquistados por papai - COM ESFORÇO, tinha mudado a vida de tantas pessoas, inclusive a deles. E alerto: "Estudem! A Rua da Lama nos quer de volta! Não queiram nem morar, nem criar seus filhos lá."  Espero que a estratégia funcione de novo.

Espaço RUA DA LAMA

Papai faleceu aos 67 anos de idade, em plena atividade e no auge de sua capacidade intelectual , com Cancer de Próstata.

Me consola a certeza do reencontro.



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