Mary Gibson





            
Mary foi a segunda dos filhos de Henry & Alexandrina, tendo nascido em 24 de maio de 1847 em Recife, na residência em Sant'Anna e faleceu em 18 de março de 1917, com 69 anos, também em Recife.

            Jornais da época sempre noticiavam seu aniversário como sendo em 31 de dezembro. Isto nos leva a crer que Mary tinha duas datas de nascimento, uma real e a outra legal.

            A Mary parece ter sido muito ligada a sua tia Maria Adelaide, esposa de Edward Fox. No censo britânico de 1861, 01 ano antes da morte de Henry, ela é assim relacionada na casa de Edward Fox:   Mary GIBSON – Niece,  14 - Scholar  - Brazil British Subject”. No censo de 1881, ela novamente aparece na Inglaterra agora já com seu nome de casada e com o filho Edward, em companhia de sua tia Maria Adelaide (já viúva), com a filha. Estão todos relacionados como primas, na casa de Augusto C. D’Abreu, um comerciante português aposentado. Ainda não sabemos explicar o parentesco, que com certeza se origina na família Oliveira. A notícia:


1881 Census Sunday 3rd April 1881
24 Cambridge Gardens, London, Middlesex

Augusto C. D’ABREU   Head   M  Retired Merchant  51   Portugal  
Candida R. D’ABREU   Wife    M        52  Brazil       
Eugenia D’ABREU        Daur   U        22   Brazil       
Augusto D’ABREU        Son     U          9   Brazil       
Mary PATON              Cousin   M      34   Wife of British Subject      Brazil       
Edward Guy PATON   Cousin   U        5   Son of British Subject        Brazil  
Maria A. FOX   Cousin   W                55   Widow of British Subject  Brazil      
Emily FOX        Cousin    U                28   Daur of British Subject     Stoke Newington, Mx.

                Minha avó Beatriz Gibson me dizia que os filhos mais velhos de Henry estudavam na Inglaterra e quando do seu falecimento, tiveram que retornar por questões financeiras. Além da presença de Mary no Censo Inglês de 1861, temos no necrológio de Alfred - publicado nos jornais da época, a noticia que o mesmo tinha recebido educação pedagógica na Inglaterra.   

                 Em 22 de abril de 1869, aos 22 anos, Mary casou-se com o escocês Edward Paton em Recife. Edward, nascido em 07 de dezembro de 1835 in Ancrum, Roxburghshire - Escócia, foi o segundo de três irmãos do casal de escoceses: Revd. John Paton & Mary. Edward faleceu em Pernambuco em 1895 aos 60 anos. 

                 Ao pesquisar sobre a Família Gibson em 1975, encontrei na biblioteca da Universidade de Oxford referência a Mary. Em um livro que relacionava as famílias pertencentes a nobreza inglesa, achei a arvore genealógica da Familia Paton e em uma das páginas a informação: “Edward Paton, casado com Mary Gibson, filha de Henry Gibson de Pernambuco – Brasil”.   Abaixo apresento a reprodução xerográfica da folha mas infelizmente, não tenho mais a cópia do espelho do livro, chamado Family Records.
                 
                 O casal Edward & Mary Paton tiveram os seguintes filhos: Henry, Ellen (aparece na foto acima quando bebê), Andrew, Edward Guy e John Alfred. 

1.  Henry Gibson Paton, nascido em 06 de Janeiro de 1870 e falecido em 27 de março de 1871, com 01 ano.

2.  Ellen Gibson Paton (Nelly),  nascida em 1871. Ellen casou com Thomaz MacDonald Hood, um comerciante inglês estabelecido no Rio de Janeiro em 10 de Fevereiro de 1894, na British Consulate Chapel, em Pernambuco, Brasil. Eles tiveram três crianças: Douglas Edward Hood, nascido em Pernambuco em 1896 e falecido em ação, na Segunda Guerra Mundial em 14 de abril de 1917, com 21 anos. Era segundo tenente do Exército Inglês (Bedford Regiment) e foi sepultado no Zouave Valley Cemetery; Ronald Paton Hood, nasceu em 1898 e faleceu em 28 de setembro de 1917, aos 19 anos, também em ação na Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi abatido em uma luta aérea. Foi a ultima vez que foi visto. Tinha ido para o front em maio. Também segundo tenente, era piloto da Royal Flying Corps (precursora da RAF).  Nascido em Pernambuco, foi educado na Forest School, Felsted. O jornal inglês Times de 01 de janeiro de 1918 confirmou sua morte, em ação. Phyllis Margaret Hood, nasceu em 1900 em Pernambuco. Em 1900, 1915 e 1933 ele aparece como passageiro em viagem de Liverpool para o Rio de Janeiro. Nada mais sabemos sobre ele.

3.  Andrew, que segundo registros do Consulado britânico, faleceu em Pernambuco também em 1871. As datas registradas do nascimento de seus irmãos Henry e Ellen, parecem não se encaixar com a do óbito dele. Teria Andrew sido gêmeo de Ellen? Em caso de nascimento de gemelares de sexo diferentes, o feminino tem mais chance de sobrevivência.

4.  Edward Guy Paton, nasceu em 17 de fevereiro de 1876, em Pernambuco e morreu em 1943, aos 67 anos, em Maceió. Em 1881 ele está relacionado no Censo Britânico como filho de Ingleses com o nome Eduardo Guy Gibson. Era gerente do London & River Plate Bank e vice-consul Inglês em Alagoas. Foi casado com Isabel (Bell) Robson e não conhecemos seus descendentes.

5.  John Alfred Paton.  Nascido em 24 de março de 1882, em Pernambuco. No obituário de sua mãe, em 1917, ele aparece como ausente por estar servindo na Guerra. Como a participação brasileira na Primeira Guerra foi bastante tímida, (fornecemos apenas médicos, aviadores, alimentos e matérias-primas para a Europa) é possível que John Alfred tenha combatido sob a bandeira inglesa, como seus sobrinhos. Ele porém sobreviveu ao evento e faleceu em 1934 em Maceió - Alagoas, aos 52 anos. Não se casou. 

          
             Segundo a tradição oral da família houve um suicídio na nossa primeira geração. Luís Milet informa que teria sido ele, o Edward Paton, quem teria se suicidado saltando da Ponte Buarque de Macedo e seu corpo teria sido encontrado sem uma das pernas, possivelmente devorada por tubarões. Não encontrei a fonte ou mesmo uma confirmação desta noticia, mas acredito ser verídica. Mas também não desprezo a possibilidade de ter sido o George, o protagonista desta triste história.

NOTÍCIAS DA IMPRENSA (Jornal do Recife)



.                                                                                     NOTICE 

Married on the 22nd inst at the British
Consulate and at the British Chapel Edward
Paton to Mary Gibson daughter of the
late Henry Gibson esq.
No cards


.  Na edição 00119 de 1868:  "Entrados hontem dos portos do sul no vapor Savoie Edward Paton";


.  JR edição de 5 de fevereiro de 1872:  "DESAPPARECEO - de um sitio no Poço, na noute de 02 do corrente entre 8 e 10 horas um cavalo branco com selim e bride: quem o achou queira mandar entregar na casa do sr. Eduardo Paton, no Poço, ou no beco de João Fernandes Vieira em casa dos Srs. Thomaz Comber ou na praça do Corpo Santo no. 9, que será recompensado;


.  29 de fevereiro de 1872: "SITIO PARA ALUGAR NO POÇO DA PANELLA - com grande casa de moradia, estribaria, quartos para criadas e cozinha fora, cacimba com muita água boa de beber: o sitio é todo murado com diversas fruteiras: trata-se com Eduardo Paton, rua do Commercio, no. 10 ou na sua casa no Poço;

.  Em 07 de janeiro de 1875: "SÍTIO PARA ALUGAR - Aluga-se o sítio Grande, perto a Estação do Salgadinho da Estrada de Ferro de Olinda, com casa de moradia, grande pasto para gado, boa cacimba e muitas fruteiras; o rio Beberibe passa pelo fundo do sítio: trata-se com o sr. Edward Paton, rua Marques de Olinda, no. 24".

.  JR de 12 de Janeiro de 1877:   No dia 10 de janeiro, pelo vapor inglês Alice para Liverpool, Eduardo Paton exportou uma barrica com 15 abacaxis.

.  Em 13 de fevereiro de 1879:  "Perdeu-se no dia 10 um anel de ouro com pedra de sangue, armas uma mão segurando n'uma rosa com a divisa virtute viget: quem achou a queira entregar ao sr. Edward Paton, na rua do Bom Jesus, no. 13, será recompensado generosamente";

.  O JR de 18 de maio de 1879, publica uma ata da Assemblea Provincial: "..... fica o negociante Edward Paton eliminado do quadro de devedores da Fazenda Provincial."

 .  Em 13 de abril de 1880, o JR publica uma ata da Assemblea Provincial:  "Eduardo Paton reclamando contra o acto do Thesouro Provincial, que exige o pagamento de imposto sobre caixeiros de corretor matriculado".

 . Em 15 de maio de 1881: "Passageiros - chegados hontem no vapor inglez Tagus Edward Paton";

.  No JR de 28 de maio de 1885, Carlos Gibson, como acionista e Eduardo Paton, como Diretor da Companhia Estrada de Ferro de Recife a Caxangá, assinam atestado de boa conduta para um funcionário, José Francisco da Silva Maia, que foi preso arbitrariamente pelo delegado do 2o. distrito, acusado de estar trabalhando embriagado.

.  A ata da Companhia de Serviços Marítimos de Pernambuco, publicada em 18 de fevereiro de 1894, informando a eleição do Conselho Fiscal, traz a assinatura de Edward Paton como acionista;

.  Em 29 de abril de 1903, Mary Paton está na relação dos passageiros que embarcam para o Rio.


.  Em 28 de janeiro de 1908, Mary Paton está na relação dos passageiros que chegaram do sul, no vapor Ceará;


.   Em 24 de outubro de 1913, Nelly Mary Paton (??) está na relação de passageiros chegados de Southampton; 

.   Em 20 de março de 1917:   "No Chacon, onde residia, veio a fallecer ante hontem, a 1 hora, a exma. sra. d. Mary Paton, viúva do pranteado comerciante, que foi desta praça, Sr. Edward Paton.  Era a veneranda finada de nacionalidade ingleza, contava 70 annos de idade e deixou três filhos maiores: Sr. Edward Guy Paton sub gerente do River Plate, casado com a exma. sra. d. Bell Robson Paton; mme. Nelly Paton Hood, esposa de Thom Hood comerciante no Rio; e sr. John Alfred Paton, solteiro, atualmente servindo na guerra. O enterramento da distincta senhora teve logar ante-hontem mesmo, à tarde, no Cemitério dos Inglezes, sendo extraordinariamente concorrido.


Sobre o féretro foram collocadas lindas grinaldas de flores pelos parentes da finada e membros da colonia ingleza, onde ela era extremamente estimadíssima, pela nobreza de suas virtudes.


À exma. Família de d. Mary Paton, especialmente aos seus filhos, enviamos nossas condolências." 



Edward Paton
Mary Gibson Paton






                       

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